PLANTIO É LIVRE, A COLHEITA É OBRIGATÓRIA ( Espírito Pai Velho Antonio de Aruanda 06-09-2019)

Filhos queridos do meu coração,

Na véspera de comemorarmos mais um aniversário da Independência de nossa Pátria, que foi proclamada pelo pai do nosso querido mentor, patrono, Pedro de Alcântara, nós sentimos o trabalho que a espiritualidade empreendeu no Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

Logo depois, Pedro I teve que se retirar para Portugal, deixando aqui seu filho, Pedro II, uma criança, órfã, que teve a responsabilidade de conduzir esse país, num século tão conturbado, de tantas dificuldades, mas conduzir esse país para grandes avanços científicos e tecnológicos e acima de tudo avanços onde o homem adquiriu a sua liberdade e Pedro de Alcântara sempre se propugnou pela Igualdade, Liberdade e Fraternidade entre todos os seres, entre todos aqueles que habitavam esta terra.

Aqui estive durante o segundo império como vocês já sabem, como escravo, resgatando débitos de vidas e vidas passadas, e foi-me dada a oportunidade de viver e trabalhar em uma fazenda, onde graças ao trabalho da Espiritualidade Superior houve uma grande transformação no tratamento dispensado aos cativos, aos escravos. Me emociona, ainda hoje, ao relembrar todas as vitórias alcançadas, vitórias morais, espirituais, essas são as mais importantes, naquele período conturbado que o Brasil viveu.

Imaginem os escravos acorrentados, chicoteados, humilhados, torturados, neste vasto território, esperando a oportunidade de quebrar as algemas, de gritar: “sou livre, posso caminhar, posso me dirigir para onde quiser”. E muitos de nós sendo bem tratados aonde estávamos, resolvemos permanecer naqueles locais, continuando a construção do Bem e do Amor, implantando ali sim, tudo aquilo que necessitávamos para bem viver, viver com dignidade, viver com alegria e viver com liberdade.

A minha história vocês já conhecem, já foi aqui inclusive repetida, mas guardo no coração aqueles momentos, aqueles anos que para mim não foram de desventura, foram anos de aprendizado, foram anos onde eu pude através do sofrimento, alcançar um degrau acima na escala evolutiva, pois a dor, o sofrimento, quando bem aceitos, resignadamente e com amor no coração, faz com que nosso espírito alcance outros patamares.

Como sou grato à ajuda dispensada a todos nós naquela fazenda; depois se tornou uma ajuda material, mas nunca nos faltou ajuda espiritual, ajuda daqueles entes nos quais acreditávamos, ajuda de Nosso Senhor Jesus Cristo, e ajuda de Deus, o Nosso Pai Maior.

Não posso esquecer as amizade que ali fizemos, amizades construídas, apesar das dores, apesar dos lamentos, e apesar das aflições. Amizades que perduraram e perduram no plano espiritual.

Quantos e quantos irmãos, daquela época, daquela situação, continuam aqui conosco, trabalhando e procurando trazer a esta casa todo aquele amor construído naquela época tão proveitosa para cada um de nós. E não foram só as amizades entre os cativos, entre os escravos, mas amizades que foram solidificadas também com os nossos senhores, com a minha querida Sinhazinha, que sempre que pode, ela dirige o seu olhar tão carinhoso, tão meigo, tão sereno, para esse pobre Pai Velho, tão necessitado desse olhar carinhoso, dessas mãos que afagaram meus cabelos brancos quando eu doente estava me preparando para regressar á Pátria Espiritual.

O seu zelo, a sua dedicação, o seu carinho, o seu amor por esse Pai Velho que não merecia, e ela ficou ao meu lado, no meu leito de morte, trazendo para esta alma tão cansada e para este corpo tão sofrido, o seu afago, o seu carinho, o seu abraço, e nunca esqueço do último beijo que recebi na minha testa enrugada da minha querida Sinhazinha.

Depois, procurei auxiliar aqueles irmãos desencarnados que ali estavam ainda cheios de mágoa, rancor, ressentimentos, procurando envolvê-los junto com outros irmãos para que eles esquecessem os seus sofrimentos e seguissem o caminho do bem e o caminho do amor. E acreditem vocês, muitos ainda continuam presos aos seus rancores, aos seus ressentimentos, passados muitos e muitos anos. Mas muitos também se elevaram, subiram outros degraus, e através do entendimento, do amor, da compreensão, tem um trabalho maravilhoso a ser executado hoje: o trabalho de auxiliar a todos aqueles que ficaram na retaguarda.

Muitos irmãos trabalham aqui conosco, brancos e pretos, senhores e escravos, ou melhor, ex-senhores e ex-escravos que aqui compartilham conosco esse trabalho de Amor sob a orientação de Pedro de Alcântara, o nosso querido imperador, que também teve o seu resgate a partir do momento que foi proclamada a República. E Pedro de Alcântara, exilado, pobre, praticamente sozinho, com poucos amigos, logo depois sentiu a perda de sua querida esposa, Tereza Cristina, que não suportando os reveses do exílio, da humilhação, desencarnou.

Pedro de Alcântara, cercado de poucos amigos, vivendo na pobreza, soube resistir mais algum tempo e sofrendo todas as humilhações, mas também recebendo de vários e vários países, o reconhecimento de um imperador justo, bom, magnânimo. E muitos chefes de Estado, reconhecendo a grandeza de Pedro de Alcântara, disseram que o nosso país perdia o maior imperador republicano que eles conheceram.

Querido Pedro de Alcântara, obrigado por receber essa falange de Pai-velhos aqui na sua casa. Esses espíritos, que dentro da sua humildade e simplicidade, procuram através do seu trabalho engrandecer essa obra, procuram auxiliar aqueles irmãos que a cada instante acorrem a esta Casa em busca de socorro e de auxílio. Esta casa que abriga todos os necessitados, independente da sua condição espiritual, abrindo sempre seus braços generosos para abraçar esses amigos que aqui estão conosco.

A Casa de Pedro de Alcântara, que nós não conseguimos dimensionar e nem traduzir em palavras os trabalhos aqui realizados.

Materialmente, a casa passa por dificuldades, mas nós agradecemos aos abnegados trabalhadores encarnados que aqui estão, dia-a-dia, trazendo a sua contribuição, tanto nos setores doutrinários quanto nos outros setores da casa, proporcionando alívio, consolo, auxílio, bem-estar, felicidade, alegria, para tantos e tantos irmãos que essa Casa abriga.

A grande falange de trabalhadores da Obreiros do Bem: trabalhadores mais antigos, trabalhadores mais recentes, encarnados e desencarnados, mas independente do tempo que aqui estão, o que importa é a doação, é a intensidade do trabalho, é essa entrega, é essa participação, é esse abrir o seu coração para receber tantos e tantos espíritos necessitados de amparo e de socorro.

Continuamos vivendo tempos difíceis, como vivemos alguns séculos atrás no nosso país, no nosso planeta, mas esses momentos difíceis fazem parte do nosso comprometimento, da lei de ação e reação, do nosso carma, das nossas responsabilidades, e que nenhum de nós está isento ainda desses resgates, desses acertos, desse reequilíbrio, dessa educação.

Sócrates nos dizia que “viver é recordar”; então muitos de nós, nesse momento, temos a oportunidade de recordarmos aquilo que plantamos no nosso passado, e gradativamente fomos colhendo, colhendo e colhendo. Só, que conclamamos a todos vocês, que se não plantamos ainda o amor, e com certeza vocês já plantaram, plantemos o amor, plantemos a caridade, plantemos o perdão, a compreensão, a solidariedade, a fraternidade, porque com certeza esse plantio vai proporcionar a cada um de nós, a colheita do amor, da caridade, do perdão, da fraternidade, da solidariedade.

Queridos irmãos, nesse momento, vamos erguer as nossas preces, todos juntos, em agradecimento a Deus, nosso Pai, a Jesus, o nosso Mestre, Modelo e Guia, ouvindo a Ave-Maria, deixando que nosso coração seja embalado por essas vibrações musicais. E assim envolvidos, vamos pedir que essa Casa continue cumprindo o seu papel, papel de acolhimento, de ajuda, de socorro, de envolvimento a todos aqueles que a procuram em busca de um alívio, de um remédio para suas dores, para suas feridas, para suas aflições, e para suas angústias.

Lembrando sempre que o Senhor é o nosso pastor; nada nos faltará.

Lembrando que o Cristo é o nosso Consolador, que o seu jugo é leve e que nós, nesse momento, continuemos acreditando na vitória do Bem e na Vitória do Amor. Porque se há um Determinismo nesse mundo, esse Determinismo é que o Bem sempre vence, sempre prevalece.

Nos momentos de dificuldade, nos momentos difíceis, as tempestades passam, mas o Amor, o Bem perdurarão, por toda eternidade.

Muita Paz, queridos irmãos, filhos queridos do meu coração.

Pai Velho Antonio de Aruanda.

Muita paz.

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