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RECORDAÇÃO PDF Imprimir E-mail
Sáb, 06 de Outubro de 2012 16:12

Fui uma menina que sonhava com príncipes encantados, que poderiam levar-me para palácios distantes nas asas da imaginação. Voava nos cavalos alados para reinos encantados e acreditava no amor que une dois seres por toda a eternidade. Vivia alegre com meus pais e irmãos, vivia a sonhar e a cantar. Corria alegre pelos campos, pegava as frutas maduras nos pés e fazia de minha vida um eterno sonhar. Cresci cercada pelos carinhos dos meus e era uma romântica que se transformava nas mocinhas dos romances, vivia suspirando e desejando aquele amor que me conduzisse aos cumes da felicidade. Era realmente uma romântica e sonhadora, emocionando-me com os contos de amor e queria para mim um final feliz e o “viveram felizes para sempre“. Mamãe e papai eram adoráveis e meus irmãos, amigos de folguedos.

A vida era bela e eu adorava tudo e todos que me cercavam até que um dia vi na nossa cidadezinha um rapaz que veio trabalhar por um período nela e o meu coração sedento de amor dele se enamorou. Nada mais via que seu rosto, seus olhos e seus cabelos e quando ouvi sua voz senti-me estremecer de paixão. Eu só o via e vivia para ele, para vê-lo passar, rir e com meus irmãos fez amizade e passou a nossa casa frequentar. E para o namoro foi um pulo e inebriada de amor, desejando que ele fosse realmente meu príncipe encantado, resolvi com ele me casar. Tivemos que nos mudar de nossa cidadezinha e eu acompanhei-o para nosso novo lar. Os primeiros meses foram de muita paixão, amor, suspiros, sonhos, projetos, mas logo, logo descobri que meu príncipe não era tão encantado assim. Chegava tarde, muitas vezes embriagado e nestas ocasiões sempre me brutalizava, humilhava. Eu passei a sentir cada vez mais saudades de meu antigo lar, de meus pais, irmãos, de minha vida anterior, onde eu era tão feliz, sonhadora. Escrevi uma carta para meus pais pedindo-lhes que viessem passar uns dias conosco, mas esta carta foi interceptada e eu sofri as consequências por tê-la escrito. Reclamações, agressões, passaram a fazer parte de minha vida e percebi-me grávida de meu primeiro filho. Aquilo abriu para mim uma perspectiva, um novo dia talvez se descortinasse, uma nova era de paz talvez chegasse.

Meu coração se encheu de esperança, mas as agressões continuaram por quaisquer motivos e descobri que meu príncipe estava com outras mulheres e que eu não fazia parte de seus planos. Tentei voltar para minha casa, a casa de meus pais, mas não consegui e de humilhação em humilhação, agressões a agressões, perdi meu bebê. Cada vez mais amargurada, solitária, desiludida, abandonada e sem perspectiva, sem sonhos, sem nada, resolvi dar um basta a tanto sofrimento e o meio que me pareceu mais eficaz foi o suicídio atirando-me ao caudaloso rio, próximo à minha casa.

Quando ao me atirar naquelas águas volumosas e rápidas senti um baque em todo meu corpo e no meu espírito e, neste momento, senti a imensa tragédia a que me arrastei e tentei lutar, mas a correnteza era muito forte e senti as águas penetrando em minhas narinas, boca, pulmões, senti falta de ar, uma agonia imensa, uma aflição sem fim, sentia-me estourar e fui levada rio abaixo, sentindo o desespero da morte gelada a me abraçar. Não vou relatar aqui todo o meu sofrimento, vendo meu corpo se desfazer e eu presa a ele, nem para locais onde fui arrastada e a angústia e o desespero passados. Longo tempo precisei para me recompor, ser auxiliada e ter consciência deste ato tresloucado que cometi. Senti uma saudade imensa de meus pais, irmãos, meu bebê que não cheguei a ter e sentia que a cada instante meu coração não aguentaria tanto sofrimento até que, com muita assistência, auxílio magnético, passes pude aqui ser trazida para que através desta mensagem, deste contato com vocês, eu pudesse extravasar me aliviar um pouco deste meu penar. Sinto-me mais energizada, mais fortalecida e sei que terei muito ainda a resgatar, mas tenho a certeza, que com a ajuda de todos meus amigos espirituais e dos médiuns que se doam para que nós possamos ser atendidos, conseguirei encontrar meu caminho.

Obrigada, da amiga.

Sophia

(Psicografia recebida no Grupo de Estudos e Educação da Mediunidade da AEOB, em 03/08/2012)

 

 
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