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A força do Amor - Setembro/2017 PDF Imprimir E-mail
Dom, 22 de Outubro de 2017 23:03

 

A FORÇA DO AMOR (01,O8 e 15 de setembro de 2017)

Vivia triste e solitário.

Minha vida se resumia em trabalhar e estudar. E nos finais de semana, cinema e encontro com amigos.

Rotina e existência vazia, que eu necessitava preencher, buscando um amor.

Minha rua deserta levava-me à melancolia e eu ansiava, desejava aquele Amor que viria dar uma razão à minha existência.

Gostava de fazer poesias, pois através delas eu me lançava em busca da felicidade e viajava nas asas da aventura. Mas existia aquele vazio, aquela procura, aquela insatisfação... até que um dia, minha rua deserta ganhou vida, pois meus olhos fitaram inebriados a nova moradora da casa rosa. Aquela linda menina, cujos olhos mostravam-me a imensidão dos mares, cujo sorriso recordava-me o murmúrio das águas deslizando sobre pedras e cujas palavras enchiam meus ouvidos de melodias celestes.

Ela existia, a musa de meus sonhos, inspiradora de minhas pobres trovas, alma tão querida e aguardada!

Na sua presença os dias adquiriram mais cores, as noites eram mais estreladas e a lua estava sempre com todo seu esplendor.

Minha existência ganhava um significado.

Sim, ela existia, a menina tão sonhada.

Os dias se transcorriam para mim mais risonhos e eu sentia uma vontade enorme de viver, sabendo de sua existência.

Passava várias vezes debaixo de sua janela só para vê-la, saber que ela estava ali, e isto me trazia uma imensa felicidade.

Onde eu já a vira? Aonde nos conhecêramos?

Só de saber de sua proximidade dava-me forças e um sentido para minha existência. Aquele amor tímido platônico, amor cortês de trovador, sem muita exigência, me bastava. Bastava para mim saber que ela existia. Como eu era feliz em vê-la caminhar, sorrir, cantar!

Minha vida se transformou e a escola e o trabalho se tornaram agradáveis, pois eu tinha uma razão para viver, existir, sonhar, amar.

Começamos a nos falar e até mostrei a ela meus versos, e sentia aquele amor aumentar, se isso era possível ao seu lado. Vivemos momentos felizes e que ficaram eternamente gravados em meu coração.

Mas um dia, tive a notícia que sua família mais uma vez teria que se mudar, e aquela notícia teve para mim um impacto emocional muito profundo.

Como seriam meus dias sem ela? Sem vê-la, ouvir sua voz? Se sua presença era a luz dos meus dias, motivação para minha existência, impulso e energia para meus empreendimentos?

Fiquei insone, e só de pensar no seu afastamento uma imensa melancolia dominou-me. Que sentido teria minha vida? Que motivação teria eu para estudar e trabalhar?

Meus poemas, humildes por sinal, não falariam mais de alegria, de felicidade, mas de separação, de saudade.

Como eu viveria sem vê-la na janela, saber que em determinadas horas eu poderia senti-la, conversar com ela e falar de meu amor?

Como eu faria com esta separação? Como eu poderia segui-la?

Naqueles dias, as distâncias eram imensas, difíceis de serem vencidas através dos meios de transportes ou de meios de comunicação.

E chegou o dia de sua partida. O dia que eu gostaria que nunca chegasse, que nunca existisse. Partiria com ela meus sonhos, anseios, desejos, realizações e o meu amor.

Lágrimas foram derramadas de ambos os corações. E para mim, ao vê-la partir, partiu também o meu coração, e senti meu peito se rasgar de agonia e desespero. Como gostaria de retê-la! Envolvê-la em meus braços e repetir para sempre como eu a amava. Como seriam tristes, melancólicos, sem brilho, sem luz meus dias, ela que era o brilho, a luz, a esperança deles!

(continuação no dia 08-09-2017)

Ah, como foi doída esta separação?

Como eu gostaria de acompanhá-la, mas o que poderia fazer, um jovem de dezesseis anos? Como poderia sobreviver em outro local, sem casa, sem trabalho, sem estudo, sem nada para oferecê-la?

Fiquei desesperado, sabendo que nunca mais veria a garota dos meus sonhos.

E aí, o único refúgio que tive foi a bebida. Bebia para esquecer, como se dizia. Vivia em um estado alterado, triste, lastimável. Meus pais tudo faziam para me ajudar. Mas eu não queria a ajuda. Gostaria de morrer para livrar-me desta tormenta que me assolava o coração. Tinha um padrinho, que morava em um sítio, e a pedido de meu pai levou-me com ele, pois no seu sítio eu poderia trabalhar no campo, estudar na escolinha de lá e assim ocupar todo o meu tempo e ficar vigiado vinte e quatro horas.

Fui com meu padrinho, e passei a trabalhar com afinco e dedicação e gostar do meu trabalho. E procurava cansar o máximo, pois ao recolher-me, estava tão cansado que caía na cama e dormia. Mas logo depois acordava e em desespero, insone; queria sair em busca de minha amada, que nunca esqueci.

Certa noite, meu padrinho convidou-me para participar de uma reunião que ele realizava na residência, numa salinha especialmente preparada para esta reunião. Ao chegar vi sentados nos bancos rústicos e várias pessoas humildes que ali vinham em busca de consolo e esclarecimento.

Na mesa tosca, vi dois livros que me chamaram a atenção: “O Evangelho segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”, e também a Bíblia, aberta no Novo Testamento.

Minha madrinha abriu a reunião com uma prece e logo após leu um capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo que tocou meu Espírito. Neste momento, senti uma Paz invadir o recinto e senti-me envolvido. Ouvi as lições e as explicações, os comentários, e logo após iniciou uma reunião de atendimento às pessoas que ali estavam. Vim a saber depois que muitos enfermos ali acorriam em busca de auxílio. Foram dados passes e distribuída água para todos, e a reunião se encerrou com um clima de muita alegria.

Eu senti-me tranquilo, sereno, gostei. Com o passar do tempo me dedicava muito ao trabalho e ao estudo desta Doutrina tão nova, mas ao mesmo tempo tão conhecida por mim. E pedia sempre explicação aos meus padrinhos. E minha curiosidade aumentava! Passei a entender sobre a imortalidade da alma, reencarnação, causa e efeito, simpatias, afinidades e amores.

Mas ela não saía nunca dos meus pensamentos. E vou confessar a vocês que nunca me interessei por outra mulher. Para mim, era só ela minha alma gêmea, aquela por quem eu suspirei e continuava suspirando sempre.

Meu padrinho, um dia, permitiu que eu desse passes, e foi então que descobrimos que eu era médium de cura. Passei assim a dedicar meus dias, além do trabalho e do estudo, a auxiliar dentro das minhas pequenas possibilidades aos irmãos que acorriam à nossa casa. Estudei o emprego das ervas, plantas medicinais e as receitava.

Certo dia, a presença da minha amada tornou-se mais forte nos meus pensamentos. Era uma presença serena, que me trazia muita paz. Deixava-me envolver e sentia muito próxima, envolvendo-me, abraçando-me. Meu Deus, que paz benfazeja!

A presença dela era muito forte. Eu a sentia intensamente ao meu lado. Uma presença positiva, que me trazia muita tranquilidade!

Por que eu a sentia tanto agora, nestes dias?

Na semana seguinte, se realizaria uma sessão mediúnica, onde estariam presentes vários médiuns de nossa casa, que estava aumentando a sua frequência e os atendimentos.

Esta reunião se transcorria com mais auxílios, mensagens, quando através de uma de nossas médiuns, ocorreu uma psicofonia, que de imediato chamou-me a atenção pela voz doce, melodiosa que estava fluindo através desta médium. Meu Deus! Era ela, minha eterna amada que se comunicava!

Dirigiu-se a todos, saudou-nos, e logo após se dirigiu a mim, conclamando-me a continuar no trabalho que dedicava à nossa casa espírita e à bendita doutrina, dizendo que estava há algum tempo observando-me e que agora já tinha condições de participar dos labores desta instituição espírita.

Disse-me que desencarnou logo após a nossa separação, devido a uma enfermidade muito grave, e que após um período de refazimento no Plano Espiritual, teve o merecimento de comparecer ao seu lar e a tornar visível aos seus familiares, pois estes estavam desesperados e inconsoláveis devido à sua prematura desencarnação. Mas não existe o acaso, e ela estava cumprindo o roteiro traçado para ela na Espiritualidade. Que a nossa separação, bem recebida por mim, faria com que nós nos encontrássemos dentro de algum tempo e que permaneceríamos juntos, pois conseguimos vencer etapas; e poderíamos ficar unidos pela eternidade.

Que eu soubesse esperar, pois o que são 30 ou 40 anos de distância quando sabemos que a eternidade nos espera.

Que neste momento eu me dedicasse a fundar um asilo, ampliar a escola deste sítio e criasse um grupo de Evangelização Infantil para as crianças das vizinhanças. Que ela estaria sempre ao nosso lado, incentivando, apoiando nestes empreendimentos. A médium estava com uma feição iluminada.

Ao final despediu-se, dando-me um até logo e jurando eterno amor.

Por longos anos, após a desencarnação de meus padrinhos, ao herdar seus bens, dei continuidade aos projetos e às orientações de minha amada, e o asilo, a escola e a Evangelização Infantil atenderam a todos aqueles que aqui nos procuravam.

Um dia, sentindo que as forças me faltavam, após o almoço, recolhi-me à cadeira na varanda e, observando os pássaros, sentindo a natureza em todo o seu esplendor, percebi que estava definitivamente deixando meu corpo físico. E ao desprender-me, vi meus parentes se encaminhando para receber-me sorrindo, e após abraçarem-me ficaram de lado. E então, percebi a presença daquela jovem que conquistou para sempre meu coração e radiosa, se encaminhou para mim e conduziu-me para um local onde eu poderia me restabelecer sob os seus cuidados e seguirmos juntos para sempre, rumo a novas encarnações com a certeza que o amor vence distâncias, separações, e quando se ama, não existem obstáculos para os enamorados.

Concluindo, agradeço a oportunidade de relatar esta história de vida, de trabalho e de amor, agradecendo a Doutrina Espírita, consoladora, confortadora, que nos momento difíceis de minha vida, foi minha salvação e fez-me vislumbrar um mundo novo, onde o trabalho em prol do próximo é a meta para se conseguir a tão almejada felicidade.

Sei que muitos caminhos terei que trilhar, muitos mares ainda terei que atravessar, montanhas a transpor, mas amparado pelo Espiritismo, na confiança no poder Maior de nosso Pai Celestial e sob a proteção do nosso mestre Jesus, e unido sempre à minha amada, não há nada que recear, temer.

Queridos amigos, persistam, confiem, pautem suas vidas no Bem e no auxílio ao próximo, e a vitória do amor virá para cada um de vocês!

Perdoem as pobres palavras, mas é um relato que espero seja encorajador para aqueles irmãos que se encontram aflitos, angustiados, sem perspectiva.

Há sempre, para todos nós, a oportunidade para alcançarmos a vitória sobre nós mesmos.

Muita Paz, vos deseja

Um obreiro amigo.

 

 
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