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A flor que desabrochou para a luz (12-01-2017 e 13-01-2017) PDF Imprimir E-mail
Dom, 27 de Maio de 2018 23:17

A  flor que desabrochou para a luz  (12-01-2017 e 13-01-2017

Muito jovem, com 17 anos, fui acometida de grave enfermidade que levou-me a intermináveis tratamentos e internações. Cada dia para mim era motivo de lamentações, choros e sofrimento. Além de ser um tratamento que me enfraquecia, deprimia, ao ver o sofrimento e o cansaço de meus pais, só pedia a Deus que abreviasse meu sofrimento, para que meus entes queridos pudessem descansar.

E eu, dentro da minha dor e aflição, só perguntava: por que?  Por que? Por que isto aconteceu comigo? E por que tão jovem, com tanta vida pela frente, com tantos sonhos e tantas coisas a realizar? Porque minha vida tinha que ser arrancada, sem que eu tivesse a possibilidade de usufruí-la, ter filhos, amar e ser amada por alguém?

O desânimo tomava conta de mim e eu não queria mais lutar, reagir contra este destino tão ingrato, tão implacável.

Fui a cada dia tornando-me uma pessoa má, egoísta, intratável. E aos poucos, envolvida pela revolta, desânimo, desespero, vim a desencarnar. Muito revoltada, senti-me assediada por Espíritos, que aproveitando desta minha situação, conseguiram que eu entrasse para o seu bando de revoltas, desordeiros que, sem freios, procuravam fazer todo o mal possível, prejudicando todos que encontrassem pelo caminho, indiscriminadamente.

Este grupo era composto de vários Espíritos ignorantes, cada qual trazendo sua revolta e sua necessidade de vingança ou de desforra. Ali eu me sentia em casa, pertencendo àquela organização que me protegia e entendia. Não sei quanto tempo assim estive envolvida por eles, participando de suas tramas e maldades.

Certo dia, me detive e uma aragem acariciou-me, e senti pela primeira vez envolvida em um doce sopro, que me refrigerou, me aliviou.

Procurei saber de onde vinha aquele alívio, mas tão envolvida pelas ondas negativas, nada pude descobrir. Mas sentia mais e mais aquelas aragens dentro de minha mente, ouvia palavras amáveis, carinhosas que, dizendo meu nome, pediam a Deus que me ajudasse e me amparasse.

Meu coração viu-se envolvido pouco a pouco por uma vontade de rever minha mãe, meu pai, minha casa, meus animaizinhos e minhas plantas, que eu havia relegado, esquecido. E com este propósito resolvi visitá-los, mas fui logo cercada por meus companheiros de infortúnio que não permitiram, dizendo que a partir do momento que ingressei nessa organização não poderia sair; teria sempre de obedecer ordens e segui-los sempre.

Neste momento, tive noção da realidade em que eu havia mergulhado. Estava mergulhada neste ambiente sombrio, sendo monitorada, vigiada e completamente prisioneira destes seres que se utilizavam de nós para atingir seus objetivos, que eram disseminar a discórdia, a revolta, a rebeldia e a vingança.

Senti necessidade de fugir, mas como? Só via paredes, grades e um intenso nevoeiro que a tudo envolvia. Fiquei cada vez mais desesperada, angustiada, aflita, e descontrolei-me.

Em nenhum momento lembrei-me de orar, pedir aos céus, a Deus que me orientasse, guiasse.

E mais dias se transcorreram e eu só piorava. Meu estado mental, psicológico, era o pior possível.

Não via meios de sair daquela situação, nem como escapar. Sentia que iria explodir de desespero. E quando achava que toda esperança havia saído de mim, que eu era só desespero, exausta caí ao solo e aos poucos fui relembrando momentos alegres e felizes de minha curta existência, que foram substituindo os momentos tristes, infelizes que eu havia passado.

Sim, tive momentos de intensa felicidade, de muita alegria, fui muito amada, querida. Eu, que me deixei envolver pela onda de revolta, rebeldia, que substituíram em meu coração as paisagens lindas de uma vida de muito amor, carinho e atenção.

As lembranças felizes que vinham à minha mente faziam-me muito bem, e aos poucos pude ir readquirindo o equilíbrio tão necessário.

Lembrei do carinho e dedicação de meus pais, de minha querida avozinha, com cabelos tão branquinhos, de uma dedicação extrema a mim durante toda a minha enfermidade. O olhar preocupado, mas uma fé que a conduzia sempre a dirigir-me as mais belas palavras de conforto.

Apesar de minhas dores, agora recordo como era bom ter estas pessoas tão queridas ao meu lado. Isto minorava meus sofrimentos. E amigos, tantos amigos de todas as idades! E meus 2 cãezinhos, que em nenhum  momento me deixaram sozinha, sempre atentos, vigilantes.  Se eu gemia, eles corriam a buscar alguém que pudesse me auxiliar. Quantas boas recordações.

E assim, vi-me cercada de luzes que foram me envolvendo, quando ouvi ao longe um coro de vozes juvenis que se aproximavam cantando e arrastando consigo uma multidão de Espíritos, que seguindo-os, saíam daquelas trevas. Aquela corrente foi-se aproximando.

Músicas, luzes, alegria, contentamento. Música que embalava, fortalecia, animava, que nos convidava a seguir aquele coro, envolvente, maravilhoso.  E fui deixando-me levar, sem obstáculos, barreiras. Nada impedia a nossa evolução. Jovens, muitos jovens como eu, aureolados de luzes, risonhos, felizes, conduziam aquele cordão de Espíritos que buscavam a luz, a recuperação, a libertação. E foram seguindo, cantando, saindo daquele reduto sem resistência, e continuavam cantando e seguindo.

Quando chegamos a determinado local todo arborizado com pássaros, regatos, flores de todas as cores e tipos, cada um de nós foi dirigido a determinado pavilhão, onde fomos sendo alojados e amparados. E aí, depois de um banho refrescante, vitalizante, com águas muito azuis, pude descansar depois de não sei quanto tempo, e vi-me então cercado de todos os cuidados que meu Corpo Espiritual precisava.

Longo tempo levei em recuperação, mas sempre envolvido por ondas de carinho, e como agradeço a dedicação de enfermeiros, médicos, psicólogos, empenhados em minha recuperação. Como sou grata!

E para culminar, fui chamada certo dia ao jardim em frente ao nosso pavilhão e então reconheci aquele Espírito que estava me esperando. Minha querida avozinha, com seus cabelos branquinhos, com seu lindo sorriso, compensando-me de todo sofrimento e dores passados trazendo-me notícias de meus pais, que em minha homenagem estavam ajudando e trabalhando em uma instituição, que se dedicavam ao tratamento infantil e juvenil de doenças mais complicadas, e que, além disto, estavam envolvidos na ajuda a animais abandonados, prestando assim um tributo ao meu amor pelos nossos queridos irmãozinhos.

E agora, estou participando com muitos jovens dos estudos e das atividades nesta casa abençoada: Casa de Pedro de Alcântara, que tão bem nos acolhe, recebe e aceita.

Obrigada a todos, desde os orientadores, médicos, enfermeiros, instrutores, amigos de todos os dias.

Com minha imensa gratidão,

A flor que desabrochou para a luz

 
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